Mostrando postagens com marcador Racing Club. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Racing Club. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de março de 2020

Quando a torcida do RACING lotou dois estádios no mesmo dia






Em 2001, a Argentina tinha estabelecido o corralino para evitar e interromper a retirada de depósitos em contas correntes e poupanças e o congelamento das mesmas, estabelecendo limites semanais para a retirada de fundos. Essa medida resultou numa convulsão social, com mais de trinta mortes, estado de sítio instaurado e a renúncia do então presidente Fernando de la Rúa. O excelente filme Nove Rainhas, estrelado por Ricardo Darín, retrata o caos econômico dos nossos hermanos.

Por conta dessa crise, o Rancing Club, que estava há 35 anos na fila (o último título havia sido conquistado em 1966), partiu dia 5 de fevereiro do ano seguinte para conquistar o Apertura como visitante em cima do Vélez Sarsfield na décima nona e última rodada. Os racinguistas não só lotaram a casa do rival, mas também aqueles que não conseguiram ingressos lotaram El Cilindro, a casa do Racing em Avellaneda. 

Hinchas do Racing lotando dois estádios no mesmo dia.

O time campeão do Apertura de 2001.

Dois anos antes, La Academia havia entrado em falência por conta de uma dívida praticamente impagável  Pra piorar, o Racing foi proibido de jogar a primeira partida do Clausura.

Três dias depois dessa decisão, em 7 de março de 1999, o Racing receberia o Talleres em sua casa, pela estreia do Torneio Clausura. A hinchada ignorou a decisão judicial e lotou El Cilindro mesmo sabendo que ninguém entraria em campo – o clube celeste, afinal, não existia naquele momento. Os torcedores encheram o estádio mesmo ser ter jogo para ser visto e salvaram o time de ir a leilão.

Esse dia passou a ser conhecido como “Día del Hincha de Racing”.

Mesmo sem jogo os torcedores lotaram El Cilindro.












terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A partida que começou durante a ditadura e terminou na democracia


Está partida tinha absolutamente tudo. Até uma suspensão que deixou para os arquivos um dado quase inédito: os primeiros 70 minutos disputados sob ditadura e seu término concluído na democracia.

O Metropolitano de 1983 estava com idas e voltas, em sintonia com que ocorria na sociedade, que em pleno anos de chumbo respirava uma nova esperança que amanhecia com a reconquista da liberdade. Os incidentes se sucediam rodada após rodada, inclusive tendo que lamentar mortes em algumas oportunidades.


Ferro Carril Oeste, campeão argentino de 1982: Carlos Arregui, Gómez, Garré, Cúper, Rocchia y Basigalup. Saccardi, Juárez, Márcico, Cañete y Crocco.


A competição também se viu atravessada por uma greve de jogadores do River por falta de pagamento, que levou o clube de Nuñes a atuar sete rodadas com uma equipe com integrantes de juvenis e amadores, donde fizeram sua estreia na primeira divisão Néstor Gorosito, Alejandro Montenegro, Mariano Dalla Líbera e Adrían De Vicente, entre outros.

Em meio a esse incessante movimento, havia algo que manteria sua firmeza inalterada, e era Ferro Carril Oeste. Desde a chegada de Carlos Griguol a direção técnica havia adotado um estilo que se perpetuava em todos os torneios desde 1981. E nesse Metro de 1983 não era a exceção, já depois de poucas rodadas da competição tomou a liderança e não largou mais. Estava no alto a tabela e com 3 pontos de vantagem sobre Independiente e San Lorenzo, recebeu o Racing na noite de quinta, em 1 de dezembro.

O quadro de Avellaneda era sua antítese. Sem rumo há muitos anos na área institucional, essa desordem se refletia no setor desportivo. Em 1982 se havia salvado do descenso no final com uma fraca campanha e agora se encontrava na mesma situação: na tabela dos promedios (média de pontos da temporada atual, com os pontos obtidos nas duas últimas temporadas definem os times rebaixados) só superava Temperley e Nueva Chicago.

Ferro fez prevalecer desde o início as diferenças de rendimento que havia entre ambos, a partir de sua habitual pressão em todo campo e o bom manejo que Cañete-Márcico-Oscar Acosta desenvolviam. Racing contraporia com redução dos espaços e tratar de buscar a cabeça salvadora do veterano Víctor Marchetti. Assim se foi o primeiro tempo, entre as intenções de bom jogo, mas sem profundidade de um e com a cautela de outro.

O Racing parecia satisfeito com o empate para suas opacas intenções de evitar o fantasma do rebaixamento. Para o complemento não só não mudou sua postura ofensiva, como deixou isolados na frente Rizzi e Marchetti contra a defesa adversária. Aos 60 minutos, quando o Ferro começava a ganhar com mais perigo, chegou um dos momentos chaves daquela noite: o árbitro Ricardo Calabria mostrou cartão vermelho para Alberto Márcio, jogador do Ferro que supostamente teria ofendido a arbitragem. A tribuna local, até então pacífica, se enfureceu com a falha do juiz. Logo depois a abertura do placar, aos 70, Carlos Arregui de pé direito definindo com categoria por sobre o corpo de Carlos Rodríguez.

Esse 1-0 acalmou os ânimos dos torcedores locais, que continuaram cantando contra o trio de arbitragem, e aos 75 aconteceu o pior: uma pilha atacada pela plateia que dava para a Avenida Avellaneda acertou o auxiliar Orville Aragno, produzindo um corte no pescoço. Imediatamente o jogo parou e ao constatar o estado do juiz de linha por parte dos médicos, se pediu a suspensão da partida.

Mas não era um fato isolado. O futebol argentino retomava suas atividades nessa quinta, depois de uma semana sem partidas, porque os árbitros haviam decretada uma greve pelas constantes agressões que haviam sofrido. A interrogação era saber o que fariam ante uma nova e grave situação. Na sexta, 2, foi marcada de febris reuniões com dois claros epicentros: a Associação de Futebol Argentino e a Associação Argentina de Árbitros, se reuniram e suspenderam o campo do Ferro, os juízes numa assembleia decidiram continuar a jogar a partida na rodada seguinte, que estava prevista para 48 horas depois.

A partida entre Ferro e Racing ficou suspensa, ao mesmo tempo nessa mesma noite Independiente venceu como local o Estudiantes 2-1 e o San Lorenzo igualo em um tento no seu campo ante o Nueva Chicago, deixando as posições: Ferro 40, Independiente 39 e San Lorenzo 38. Para o que importava para a Academia, Temperley havia resgatado um valioso ponto em Córdoba (1-1 contra o Instituto), deixando Racing com 27,00 de promedio, Chicago com 26,50 e os Celestes com 26,00.

No domingo se disputou a 34º e a grande surpresa foi a derrota do Ferro ante o Platense por 2-0, enquanto Independiente chegava a liderança e San Lorenzo caia frente ao Vélez. Já a via crúcis do Racing não parava: 1-3 ante Huracán em Parque Patricios.

Na quarta, 7, o Tribunal de disciplina chegou a um veredito e determinou a continuação dos 15 minutos restantes, que seriam jogados no campo do Atlanta dia 13, dividindo em tempos de 7 e 8 minutos respectivamente. Por esse motivo, a rodada do dia 14 seria transferida para o dia 15. Uma verdadeira loucura de dias e partidas.

Entre a saída da sentença e o reinício da partida, foram jogadas duas rodadas e um feito de muita comoção: no sábado, 10, Raúl Alfonsín assumiu como presidente democrático, deixando para trás sete anos e meio de uma sangrenta ditadura. Novos ares soprando no céu argentino.

E chegou o dia da continuação da partida. A expectativa foi imensa e por esse motivo estádio da Villa Crespo estava praticamente lotado, pesando ser um dia de trabalho às seis da tarde. As principais rádios mudaram sua programação para a transmissão desses 15 minutos.

A briga pelo título mostrava: Independiente 44, Ferro e San Lorenzo 42. O time de Caballito necessitava manter a vantagem para voltar a ponta. Na luta contra os dois últimos lugares do rebaixamento: Racing e Temperley 28,00 e Nueva Chicago 27,50.

Depois dessa continuação restariam somente três rodadas para o final do torneio. Nas formações se puderam notar com claridade o objetivo de um e de outro. Ferro teria que sair de campo com 10 jogadores por conta da expulsão de Márcico e por isso veio a campo com um 4-3-1-1. Racing, decidido a jogar tudo, entrou com uma tática ofensiva, com 3 defensores, 3 no meio e 4 atacantes.

A partir dessa pretendida vocação de ir ao ataque, la Academia se plantou no campo do rival, com uma maior posse de bola, mas sem profundidade. Caldeiro produziu a primeira emoção da calorosa tarde quando ingressou a área e Rocchia lhe sacou um balão, no choque reclamou pênalti. Foi o único lance da primeira minietapa. Na segunda, Racing seguiu tentando, se expondo ao suicídio que Ferro poderia gerar. Silvio Sotelo se livrou de De Andrade e habilitou Acosta, que foi sozinho e na saída do arqueiro Rodríguez, num arremate apurado, mas alto, por sobre o travessão.

A partida acabava. Ferro conseguia o seu objetivo de manter o triunfo e empatar na liderança com o Independiente, mas uma jogada inesperada aconteceu no minuto final. Félix Orte recebeu na esquerda como ponteiro, partiu para dentro onde encontrou Marchetti na marca do penal onde arrematou. Por ali se infiltrava Caldeiro, que quase na linha de fundo empurrou para dentro do gol de Basigalup, decretando a loucura nas tribunas populares celeste e branco. Racing, sofrendo até o último instante, resgatava um ponto que parecia perdido e se montava na ilusão de se salvar, enquanto o Ferro lamentava o ponto que lhe poderia render a glória.

Não havia tempo para festejos e lamentos, pois 48 horas mais tarde deveriam afrontar seus respectivos jogos de uma nova jornada de uma campeonato que seguia ardendo encima como embaixo. Ferro viajou a Rosário para enfrentar o Central e perdeu. Terminou em terceiro, a dois pontos do Independiente.

A equipe do Racing recebeu o Unión em seu estádio e estava confiante. Em um enfrentamento parelho, aos 86 minutos Caldeiro fez 2-1 enlouquecendo os presentes. Porém, dois minutos mais tarde veio o empate. As chances de seguir na Primeira se haviam acabado com a sentença que chegou no mítico estádio de Avellaneda. O 18 de dezembro daquele ano foi o dia mais triste na gloriosa história da la Academia, ao perder de 4-3 ante seu homônimo de Córdoba e cair para a Primeira B.


Texto adaptado do livro "Inolvidables partidos olvidados", de Eduardo Bolaños, editora Emecé, 2017.


Veja os gols da partida:


sábado, 9 de setembro de 2017

Silva Batuta: artilheiro pelo Flamengo, Corinthians e Racing



Este é Walter Machado da Silva, o Silva, que ficou conhecido no Flamengo do Rio de Janeiro pelo apelido de Batuta. O Silva Batuta. 

O futebolista começou nas divisões de base do São Paulo FC, foi para o Botafogo de Ribeirão Preto e em 1962 foi contratado pelo Corinthians.

Silva em fotos da revista do Esporte (esquerda); e Gazeta Esportiva Ilustrada (direita).

Pelo time do Parque São Jorge, Silva realizou 140 jogos e marcou 89 gols, como consta no "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte. Ele fez grande dupla com Flávio Minuano, mas não conseguiu levantar nenhum título pelo alvinegro, que vivia um jejum desde 1954.

Foi para o Flamengo onde se tornou ídolo. No primeiro ano no time da Gávea, marcou 21 gols em 39 jogos. No ano seguinte, 1966, se manteve em tão boa forma que foi convocado para a Seleção Brasileira. Disputou ao todo 8 partidas com a Amarelinha, marcando 5 gols. Infelizmente o único jogo oficial de Copa do Mundo foi a fatídica derrota para Portugal, por 3 a 1, em 66.



Antes de chegar no Racing em 1969, Silva ainda passou pelo Barcelona, onde não pôde jogar oficialmente, pois a federação espanhola estava proibindo novos estrangeiros e onde foi alvo de racismo. “Machado da Silva”, como é chamado na Argentina, mesmo com uma passagem efêmera, é muito bem lembrado até hoje no clube. A ponto de, mesmo não alcançando títulos ou 30 jogos, está entre os cem maiores ídolos racinguistas eleitos em edição especial da El Gráfico em 2011.

Silva Batuta foi o único futebolista brasileiro a ser o artilheiro de um campeonato argentino, no Metropolitano. Foram 28 partidas, balançando a rede 18 vezes com a camisa de La Academia. Chegou a marcar na final da Copa Argentina diante do Boca Juniors, 2 a 1 para os Xeneízes.





Fontes:
http://www.futebolportenho.com.br/2015/01/02/75-anos-de-silva-batuta-o-unico-brasileiro-artilheiro-do-argentinao/
https://tardesdepacaembu.wordpress.com/tag/silva-batuta/
http://www.historiadordofutebol.com.br/antigo.php?secao=silvabatuta
http://observatorioracialfutebol.com.br/conheca-a-historia-de-silva-batuta-foi-vitima-de-racismo-no-barcelona-na-decada-de-60/