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terça-feira, 11 de setembro de 2018

A Seleção da União Soviética contra Pinochet

Memorial criado no Estádio Nacional para não se esquecer do passado sangrento


Há 45 anos, no dia o 11 de setembro de 1973, um golpe militar liderado por Pinochet depôs o governo popular, democrático e socialista de Salvador Allende, no Chile, iniciando uma das mais sangrentas ditaduras da história. 

Pela repescagem para a Copa do Mundo de 1974, que aconteceria na Alemanha, Chile e União Soviética decidiriam a última vaga. Após um empate por 0 x 0 na partida de ida, no dia 26 de setembro, em Moscou, quinze dias após o golpe, veio o jogo de volta, no dia 21 de novembro de 1973, no Chile.

Os russos se negaram a entrar em campo num estádio onde até poucos dias atrás se torturava e executava gente. A União Soviética, que mantinha boas relações com o Governo Allende, tinha anunciado o rompimento de relações diplomáticas com o Chile.

O gol de da imagem abaixo, sem adversário em campo, nem precisava ser feito, foi só para simbolizar a vitória. Um dos mais tristes e vergonhosos da história.

Na Copa, a seleção chilena foi eliminada na primeira fase, enquanto a seleção soviética voltaria a uma Copa do Mundo em 1982. Pinochet encerrou seu mandato somente em 1990.



Valdez marca no gol vazio

Presos políticos no Estádio Nacional 



Fontes:
https://twitter.com/impedimento
http://futebolnostalgico.blogspot.com/2013/01/chile-x-uniao-sovietica-eliminatorias.html
http://www.vermelho.org.br/noticia/224656-1
https://blogpalavrasdiversas.wordpress.com/2014/06/08/a-farsa-de-1973-o-gol-de-pinochet-no-estadio-nacional/

quinta-feira, 12 de julho de 2018

História das Copas #7 – Seleções que viraram na final



5 – Uruguai 50



No último jogo, contra o Brasil, o Uruguai só tinha uma opção: vencer. A seleção brasileira jogava com a vantagem do empate e um país inteiro à espera da conquista do tão sonhado título. Não havia um que não acreditasse. Mais de 200 mil pessoas se espremeram no Maracanã para comemorar mais do que propriamente torcer. 

O time ainda abriu o placar, com Friaça, a um minuto do segundo tempo, só aumentando a euforia. Mas, sob o comando de Obdulio Varella, a Celeste se agigantou. Tudo começou a mudar com o empate de Schiaffino, aos 21. E depois o gol da vitória de Ghiggia, aos 34, deu início ao Maracanazo, num dos maiores silêncios ensurdecedores da história do futebol. E o Brasil chora até hoje essa derrota.



4 – Alemanha 74 



Foi impressionante. Na saída de bola, durante um minuto, a Holanda tocou a bola de pé em pé. Só parou quando Cruyff foi derrubado na área. Era apenas o início da partida, e a equipe laranja tinha um pênalti a seu favor sem que os alemães sequer tivessem tocado na bola. Neeskens bateu e fez 1 a 0. 

Parecia que a Holanda atropelaria a Alemanha e seria campeã mundial pela primeira vez. Só parecia. Os donos da casa equilibraram a partida, conseguiram controlar Cruyff e viraram o jogo. Breitner, também de pênalti, e Gerd Müller marcaram. Todos os gols saíram no primeiro tempo. Depois, Franz Beckenbauer, o Kaiser alemão, foi o primeiro a levantar o novo troféu, a Taça Fifa.



3 – Brasil 62 



Sem Pelé, e com Garrincha absolvido da expulsão contra o Chile, o Brasil entrou favorito no Estrádio Nacional de Santiago para a final contra a Tchecoslováquia. Foi surpreendido com o gol do craque Masopust aos 15 minutos, mas não esperou muito para o empate: dois minutos depois, Amarildo, sem ângulo, marcou em falha do goleiro Schrojf. 

No segundo tempo, o Possesso, que substituiu Pelé, dessa vez foi garçom e serviu Zito para desempatar, aos 24. E Vavá, em nova falha do arqueiro, fez o terceiro, aos 33. Com muita febre, Garrincha nem se destacou tanto na final, mas nem precisou. O Brasil era, com toda justiça, bicampeão mundial.



2 – Alemanha 54 



O jogo foi sensacional. Os alemães armaram uma arapuca para os húngaros: dessa vez com o time completo (no duelo na primeira fase usara um time misto): o técnico Sepp Herberger colocou Fritz Walter, um dos destaques de sua equipe, colado em Hidegkuti, o garçom adversário, e pediu que o contra-ataque fosse em bloco. 

Após estar perdendo por 2 a 0, a Alemanha virou para 3 a 2 e conquistou seu primeiro Mundial. Puskas, aos 6, e Czibor, aos 8 minutos, abriram o placar ainda no primeiro tempo. Mas a reação surgiu logo com aos 10 e 18 minutos com Morlock e Rahn, autor também do gol do título, aos 39 minutos do segundo tempo, quando os húngaros davam visíveis sinais de problemas físicos no lotado estádio Wankdorf, em Berna - 60 mil pessoas vibraram com o jogaço.



1 – Brasil 58



Pelé e Garrincha já haviam surpreendido o mundo quando pisaram em campo para a final. O Brasil entrou favorito e vestindo azul e com mudança na lateral direita: De Sordi, contundido, deu lugar a Djalma Santos, que pela sua única atuação foi eleito o lateral da Copa. Mas antes de brilhar, viu os suecos saírem na frente com Liedholm, aos quatro minutos. 

Ainda na primeira etapa o Brasil virou: Mané na linha de fundo, centro para Vavá. Duas vezes, aos 9 e 32.. No segundo tempo, Pelé fez 3 a 1 com direto a chapéu no marcador, aos 10. Zagallo aumentou aos 23. A Suécia diminuiu com Simonsson, aos 35. Mas era dia do Brasil. O novo Rei do Futebol fechou o Mundial com o quinto gol aos 45, e a Seleção finalmente conquistava o mundo pela primeira vez.




Veja mais:



Hístória das Copas #1 - Seleções que surpreenderam










Fonte: https://goo.gl/fqWGwQ


quarta-feira, 13 de junho de 2018

História das Copas #6 - Seleções Socialistas



5 - Polônia 74


A Polônia, além de chegar em terceiro lugar, teve o artilheiro da competição, Grzegorz Lato, com sete gols. Extremamente rápido, muito difícil de marcar, o campeão olímpico de dois anos antes deixou sua marca inclusive contra Brasil, em que fez o gol que deu a sua equipe o terceiro lugar no torneio. Antes, marcara duas vezes na vitória de 3 a 2 sobre a Argentina, outras duas na goleada de 7 a 0 sobre o Haiti, uma no triunfo de 1 a 0 contra a Suécia e outra na vitória de 2 a 1 na Iugoslávia.

A Copa também ficou marcada pela participação da Alemanha Oriental, que não conseguiu passar da primeira fase.



4 - Hungria 54


Com destaque para Puskas, a Hungria era favorita, mas acabou sendo derrotada pela Alemanha Ocidental. Os times do país eram patrocinados pelo estado socialista, que via o futebol como meio de união popular e combate ao nacionalismo de caráter fascista do país.

Confira mais no História das Copas #2



3 - Iugoslávia 62


A seleção iugoslava teve o artilheiro dessa Copa, Jerkovic, com cinco gols (depois de uma revisão 31 anos depois da partida por conta de uma confusão na súmula). Na primeira fase ficaram em segundo lugar, na frente de Uruguai e Colômbia e só ficando atrás da União Soviética. Conseguiram chegar até as semifinais passando pela Alemanha Ocidental nas quartas, mas foram parados pela Tchecoslováquia.



2 - Tchecoslováquia 62 



Na primeira fase, os tchecos haviam empatado com o Brasil em 0 a 0. Venceram México e Espanha. E para chegar até a final passaram por Hungria e Iugoslávia. 

Na final, a Tchecoslováquia começou surpreendendo o Brasil com o gol do craque Masopust aos 15 minutos, mas não esperou muito para o empate: dois minutos depois, Amarildo, sem ângulo, marcou em falha do goleiro Schrojf. No segundo tempo, o Possesso, que substituiu Pelé, dessa vez foi garçom e serviu Zito para desempatar, aos 24. E Vavá, em nova falha do arqueiro, fez o terceiro, aos 33. Com muita febre, Garrincha nem se destacou tanto na final, mas nem precisou. O Brasil era, com toda justiça, bicampeão mundial.



1 - União Soviética 66




Essa Copa teve uma grande surpresa: a seleção da Coreia do Norte, que derrotou a Itália e empatou com o Chile na primeira fase, perdendo para Portugal na fase seguinte.

Na primeira fase, os soviético ficaram em primeiro lugar no seu grupo, vencendo Coreia do Norte, Itália e Chile. A União Soviética conseguiu alcançar a sua melhor campanha em copas, sendo derrotada na semifinal pela Alemanha e por Portugal na disputa do terceiro lugar. 

Destaque para o goleiro soviético Lev Yashin, o Aranha Negra. Ele jogou toda a carreira no mesmo clube, o Dínamo de Moscou. Foi medalha de ouro nas Olimpíadas de Melbourne (Austrália) em 1956 e campeão da Eurocopa em 1960







sábado, 9 de junho de 2018

Na Guerra Civil Espanhola, poeta anarquista inventou o pebolim para ajudar crianças refugiadas



Em 1936, Alejandro Campos Ramirez (depois adotando o pseudônimo de Finisterre, fim da terra em latim, também nome do vilarejo onde morava) foi vítima de um bombardeio durante a Guerra Civil Espanhola, combate entre milícias fascistas apoiadores do general Francisco Franco e a Frente Popular, movimento de esquerda que lhe fazia oposição. 

Ramirez foi hospitalizado, e sem poder praticar seu esporte favorito, teve a ideia de amenizar o seu sofrimento e de crianças refugiadas criando o futebol de mesa. Recorreu a um carpinteiro empregado em uma das alas do hospital para executar sua ideia. Foi feito então o primeiro pebolim, foi feito com jogadores de madeira, bola de cortiça e campo de vidro. 

No Brasil, o esporte chegou na década de 1950. Em São Paulo, o jogo é chamado de pebolim. No Rio Grande do Sul, de fla-flu. No Rio de Janeiro e em outros estados, é o famoso totó. 

Existe atualmente uma Federação Brasileira de Pebolim, a Febrape, entidade máxima da prática no Brasil filiada à International Table Soccer Federation (Federação Internacional de Futebol de Mesa, com sede na França).


Alejandro Campos Ramirez (1919-2007) - http://revistauncanio.com.ar/








Fonte: Revista Caño e Nexo. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

História das Copas #5 – Seleções que decepcionaram



5 – França 2010




Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, após ter ficado no 2° lugar de seu grupo, perdendo a vaga direta para a Sérvia, a França apenas conseguiu o seu lugar na repescagem, diante da Irlanda, com um gol polêmico, em que o atacante Thierry Henry conduziu a bola com a mão antes de fazer o passe para o seu companheiro de equipe, Gallas, que completou a jogada marcando o gol da classificação. 

Na Copa do Mundo, porém, marcou apenas um ponto nos três jogos que disputou e foi eliminada na fase de grupos. Durante o fracasso na Copa, muitos problemas internos chegaram ao conhecimento público, como as brigas entre o atacante Nicolas Anelka (que viria a ser cortado ainda na disputa do certame) e o treinador Raymond Domenech, e entre os meias Gourcuff e Matuidi, fatos que, provavelmente, afetaram o desempenho do time em campo.


4 – Espanha 2014




De candidata forte ao título, a campeã mundial de 2010 virou sinônimo de fracasso no Brasil ao ser eliminada já na segunda rodada, derrota para o Chile por 2 a 0. 

Casillas, herói na África do Sul, virou vilão ao falhar em três dos sete gols sofridos pelo time espanhol; Xavi, motor máximo da equipe, foi parar no banco no segundo jogo; Sergio Ramos, aparentemente no melhor momento da carreira, foi engolido pelo ataque da Holanda (5 a 1); David Villa, maior goleador da história da seleção, só foi jogar na terceira partida contra a Austrália (3 a 0), quando a Fúria já estava fora.


3 – Argentina 2002




O time treinado por Marcelo “Loco” Bielsa, um dos grandes candidatos ao título, com Samuel, Zanetti, Simeone, Sorín, Verón, Ortega e Batistuta compunham a espinha dorsal do time, que no banco contava ainda com gente do quilate de Aimar e Crespo,  naufragou de maneira calamitosa ainda na fase de grupos do Mundial. 

Venceu a Nigéria (1 a 0). Perdeu da Inglaterra (1 a 0). E caíram frente a Suécia no empate em 1 a 1. A Suécia, que, explorando os contra-ataques, jogou melhor no segundo do que no primeiro tempo, acabou como campeã do grupo F.


2 – Brasil 2014



O vexame no Mineirão entrou para a história das Copas do Mundo, do Brasil e do futebol. A goleada por 7 a 1 aplicada pela Alemanha, pela semifinal do Mundial, foi a maior derrota dos mais de 100 anos da seleção brasileira. Deixou lágrimas nos torcedores e uma mancha no que é considerado o símbolo de talento do esporte no planeta.

"Gol da Alemanha" virou bordão, motivo de piada. Cada vez que as redes do Mineirão balançaram, no dia 8 de julho de 2014, o coração de 200 milhões de brasileiros estremeceu. Quatro ano depois, as feridas do 7 a 1 estão longe de ser curadas.



1 – Brasil 50



Nunca uma seleção brasileira entrou tão favorita para ganhar um Mundial como a de 1950. O técnico Flávio Costa tinha em suas mãos grandes jogadores. Quando goleava por 6 a 1 a Espanha no Maracanã, dando show de bola, e a torcida cantava esfuziante "Touradas em Madri", não havia um brasileiro que não considerasse aquele time imbatível. Mas os problemas na preparação - o oba-oba ficou fora de controle até durante a concentração - atrapalharam a equipe, que na primeira fase goleou o México por 4 a 0, depois empatou por 2 a 2 com a Suíça e venceu a Iugolávia por 2 a 0. Depois, foram duas goleadas históricas, antes da tragédia para o Uruguai: 7 a 1 sobre a Suécia e 6 a 1 sobre os espanhóis.

No último jogo, contra o Brasil, o Uruguai só tinha uma opção: vencer. A seleção brasileira jogava com a vantagem do empate e um país inteiro à espera da conquista do tão sonhado título. Não havia um que não acreditasse. Mais de 200 mil pessoas se espremeram no Maracanã para comemorar mais do que propriamente torcer. O time ainda abriu o placar, com Friaça, a um minuto do segundo tempo, só aumentando a euforia. Mas, sob o comando de Obdulio Varella, a Celeste se agigantou. Tudo começou a mudar com o empate de Schiaffino, aos 21. E depois o gol da vitória de Ghiggia, aos 34, deu início ao Maracanazo, num dos maiores silêncios ensurdecedores da história do futebol. E o Brasil chora até hoje essa derrota.





quarta-feira, 9 de maio de 2018

História das Copas #4 – seleções carismáticas


5 – Costa Rica 2014



Acreditava-se que o time costarriquenho seria o saco de pancadas no chamado "Grupo da Morte", pois tinha três campeões mundiais: Uruguai, Inglaterra e Itália. Nada disso. Começou ganhando por 3 a 1 dos uruguaios. 

Viria então a Itália de Buffon, Chiellini, Pirlo, De Rossi e Mario Balotelli, que vinham de uma vitória contra os ingleses. E o time da América Central venceu, deixando os jogadores e a Arena Pernambuco eufórica com a classificação já garantida! Para encerrar a primeira fase viria a Inglaterra já eliminada, 0 a 0 e o primeiro lugar no grupo.

Nas oitavas de final, a Grécia. Depois de 1 a 1 no tempo normal, a vitória nos pênaltis. Nas quartas de final, encararam a Holanda. O fim do sonho viria também nas penalidades, mas essa seleção da Costa Rica ficaria para sempre na história.


4 – Camarões 94




Depois de uma Copa fantástica em 1990, a seleção de Camarões vinha em 94 como a "queridinha" dos torcedores. Mas em campo não correspondeu, sendo eliminada na primeira fase, empatando com a Suécia (2 a 2) e perdendo para o Brasil (3 a 0) e a Rússia (6 a 1).

O ídolo Roger Milla, na época, se tornou o atleta mais velho a disputar uma partida de Copa do Mundo. Não bastasse isso, balançou as redes na derrota para a Rússia, tornando-se o jogador mais veterano a marcar pela competição.

3 – Jamaica 98



Os Reggae Boyz chegaram na Copa da França com uma enorme expectativa. No melhor estilo "Jamaica Abaixo de Zero", conquistaram, pela primeira vez na história, a classificação para o mundial de forma inesperada e surpreendente.

Porém, em campo os jamaicanos não corresponderam. Perderam para a Croácia por 3 a 1, e foram goleados pelos argentinos por 5 a 0. A vitória sobre o Japão, 2 a 1, foi como um título para os jogadores comandados por René Simões.


2 – Nigéria 98


A seleção nigeriana vinha de uma fantástica virada nas Olimpíadas de Atlanta em cima do Brasil. Na final, depois de estarem perdendo por 3 a 1, viraram o placar em 4 a 3, conquistando a medalha de ouro.

Na Copa, encararam logo na estréia a Espanha, e novamente uma incrível virada em 3 a 2. Venceram a Bulgária por 1 a 0 e já classificados, perderam para o Paraguai por 3 a 1. Nas oitavas de final, com um time irreconhecível, perdeu para a Dinamarca por 4 a 1.


1 – Colômbia 94




Na Copa de 90, René Higuita foi fazer uma de suas "gracinhas" e camaronês Roger Milla agradeceu e foi direto pro gol. A Colômbia perdeu por 2 a 1 na prorrogação e foi eliminada do Mundial da Itália.

Nas eliminatórias para 94, o selecionado da Colômbia parecia ter aprendido a lição. Com um futebol envolvente e técnico, tinha aplicado uma goleada de 5 a 0 nos argentinos, obrigando os hermanos a disputar a repescagem para ir à Copa. Parecia que os colombianos viriam com tudo para aquele mundial, com grandes nomes como Rincón, Valderrama e Asprilla.

Porém, não foi bem isso que aconteceu. Na primeira rodada perderam para a Romênia por 3 a 1 e para os Estados Unidos (o país anfitrião) por 2 a 1. A Colômbia acabou sendo o lanterna do grupo, vencendo apenas a Suíça, na última rodada, quando já estavam eliminados.

Mas não acabou por aí. O gol contra marcado pelo zagueiro Andrés Escobar, da Colômbia, contra os Estados Unidos, poderia ter sido apenas mais um lance de infortúnio na história das Copas. Mas acabou sendo muito mais grave quando o jogador, ao retornar a seu país, foi assassinado. Teria sido vingança de um grupo de apostadores que perdeu dinheiro com a derrota da Colômbia.





sábado, 5 de maio de 2018

Conheça o Fußball-Club Karl-Marx-Stadt



Durante a boa parte da Guerra Fria, a Alemanha estava dividida, no lado Ocidental (capitalista) e no lado Oriental (socialista). Nesse contexto, em 1953, a cidade de Chemnitz passou a chamar-se Karl-Marx-Stadt. Voltou ao nome original em 21 de junho de 1990. 

Em 1966, foi fundado um clube com o mesmo nome: o Fußball-Club Karl-Marx-StadtO clube tem origem no PSV Chemnitzer, que foi fundado em 1920. Até 1953, o clube passou por  quatro nomes diferentes e a partir desse ano novamente mudou, dessa vez para Karl-Marx-Stadt.

Hoje, o Chemnitzer FC está na terceira divisão. 

Os maiores sucessos do clube incluem a conquista Campeonato Alemão-Oriental em 1967, a qualificação para os oitavos de final da Taça UEFA de 1989/90, eliminar o Mainz 05 na primeira fase da Copa da Alemanha, em 2014, e ser responsável por revelar Michael Ballack ex-capitão da seleção alemã.

Os jogos do Chemnitzer FC no community4you ARENA (antigo Stadion an der Gellertstraße), que tem capacidade para 15.000 torcedores.

O campeonato da RDA ainda contava com o SC Wismut Karl-Marx-Stadt, este tricampeão em 55, 56 e 57 e que ainda conquistaria a Oberliga em 1959. 



Em 10 de abril de 2018, o clube anunciou a falência. Faltando duas rodadas para o final da atual temporada, o clube está em penúltimo lugar, 19º lugar, portanto sem chances de se livrar do rebaixamento.


Torcedores estão fazendo uma campanha para atrair novos sócios para o clube e chegar aos 5000 associados e aliviar a situação financeira do clube.


Confira a campanha "Preservando a tradição - moldando o futuro juntos":





Busto de Karl Marx no centro de Chemnitzer.






Fonte: http://www.cfc-fanpage.de/
http://www.kicker.de/news/fussball/3liga/startseite/721299/artikel_chemnitzer-fc-stellt-insolvenzantrag.html

terça-feira, 20 de março de 2018

Huracán de 1973: a equipe que permaneceu na história do futebol argentino


Quarenta e cinco anos depois de seu último título, o "Globo" se consagrou jogando em alto nível.


Valeu a pena esperar tanto tempo para dar rédias soltas a tanta euforia. Pois quando Huracán se consagrou campeão da Primeira Divisão depois de 45 anos de seca, o fez jogando um futebol que chegou a ser considerado como umas das melhores equipes argentinas da história.

O "Globo" mostrou as credenciais logo de cara: ganhando as seis primeiras partidas (três por goleada), empatou a sétima e caiu somente no oitavo jogo diante do River, embora tendo muitas ocasiões para igualar o marcador (Miguel Brindisi perdeu duas penalidades). Longe de cair, a equipe de Menotti se recuperou com cinco vitórias consecutivas, entre as que vale destacar, um sensacional 5 a 0 como visitante frente ao Rosário Central, no clássico com o San Lorenzo empate emocionante em 2 a 2, no estádio Tomás Adolfo Ducó (também conhecido como El Palácio) e como visitante perdeu sua segunda partida, numa das melhores partidas do ano, fechando o primeiro turno: 4 a 1 para o Boca Juniors. Na tabela, estava na liderando com dois pontos de vantagem sobre o Independiente.

O segundo turno foi outra história. Depois de ganhar suas três primeiras partidas e ampliar a diferença para quatro pontos, o Huracán teve que ceder quatro de seus titulares indiscutíveis - Houseman, Babington, Avallay e Brindisi - para a Seleção Argentina que se preparava para disputar as eliminatórias para a Copa de 1974. 


Ídolo do Huracán, René Houseman disputou 
as Copas de 1974 e 1978, marcou 4 gols.


O rendimento ofensivo sentiu e a defesa passou a ser o pilar da equipe. Assim, aumentou sua vantagem e terminou consagrando-se campeão com duas rodadas de antecipação, mesmo perdendo em seu estádio diante do Gimnasia y Esgrima La Plata por 2 a 1, numa partida que teve que ser suspensa aos 43 minutos do segundo tempo por invasão de campo (se deu finalizada pelo mesmo marcador).

René "El Loco" Houseman nos braços do povo.
Huracán campeão do Campeonato Metropolitano de 1973.


No início deste ano, uma ameaça de bomba levou à evacuação de torcedores do estádio Tomás Adolfo Ducó na partida entre Huracán e River Plate. Adivinha quem estava lá esperando a inspeção da polícia terminar para que a partida pudesse começar? Ele mesmo: René Houseman.









Fonte: Campeones Del Fútbol Argentino (1891-2013), Diego Estévez.

quinta-feira, 8 de março de 2018

A história centenária do Dick, Kerr's Ladies


O Dick Kerr Ladies FC. Campeãs britânicas invictas em 1920-1921. 
Fotografia: Bob Thomas / Popperfoto / Popperfoto / Getty Images


A Grã-Bretanha estava em guerra contra o Kaiser Guilherme II, o clima era de baixo astral nas fábricas, a produção estava caindo, algo deveria ser feito. "Vamos jogar futebol", sugere alguém. Este chamado foi prontamente atendido na fábrica de munições Dick, Kerr e Co em Preston. E as mulheres assumiram o desafio. 

No dia de Natal de 1917, 10 mil espectadores chegaram a Deepdale, para testemunhar o início da história de sucesso mais fenomenal na história do esporte feminino. Dick, Kerr Ladies conquistou a primeira de muitas vitórias e 600 libras foram levantadas para os soldados feridos. Essa soma em 2017 valeria quase £ 50,000! Sobrava espírito de luta e assim elas conseguiram mais do que poderiam ousar sonhar. 

Jogadoras como Florrie Redford, Lily Parr, Jennie Harris e Alice Kell fizeram história.

Em 1921, a popularidade da equipe estava em seu auge, elas eram a equipe que todos queriam ver. Registrando uma média de dois jogos por semana em todas as ilhas britânicas jogaram mais de 60 partidas de futebol naquele ano enquanto ainda trabalhavam em tempo integral na fábrica, sendo vistas por quase 900 mil pessoas em todo o país. 


Nesse mesmo ano, a Associação de Futebol proibiu o jogo das mulheres, alegando que o futebol era "inadequado para as mulheres e não deveria ser encorajado". Alguns também sugeriam que o futebol era um jogo perigoso para as mulheres e que poderia afetar seriamente sua fertilidade. Assim a FA aplicou um golpe letal e proibiu as meninas de usar os campos da liga, mudando efetivamente o curso do futebol feminino para sempre.

O espírito de luta do Dick, Kerr Ladies não pôde ser quebrado e elas continuaram a jogar futebol contra todas as probabilidades. Viajaram para a Escócia e para os Estados Unidos. Jogaram até 1965, mas infelizmente foram obrigadas a dissolver a equipe devido à falta de jogadoras. 

Em 1966, a Inglaterra venceu a Copa do Mundo e a prática do futebol varreu o país, não faltavam garotas querendo participar do jogo. Mas era tarde demais para Dick, Kerr Ladies. A Associação de Futebol Feminino foi formada em 1969 e a FA eventualmente reconheceu o futebol feminino em 1971, cinquenta anos depois, eles o tinham banido.

Para comemorar cem anos da sua primeira partida no Preston North End no dia de Natal de 1917, um magnífico memorial foi inaugurado em 2017.

Viva o Dick, Kerr Ladies!



Placa na fábrica onde começou o Dick, Kerr Ladies





Fontes:
http://www.dickkerrladies.com
https://twitter.com/dickkerrcup
https://www.theguardian.com/football/blog/2009/sep/09/england-women-football